PÍLULA DE RECOMEÇO: A LANTERNA

Tenho visto no Grupo da Fórmula do Recomeço muitos relatos de abandono. Mulheres sofrendo porque seus parceiros foram embora, mulheres que sentem abandonadas pela família, pelos filhos, que se sentem sozinhas no mundo porque olham em volta e já não há ninguém que as reconheça. Elas viveram para os outros e o que tiveram em troca?

A ausência total de reconhecimento. Cada um foi viver para si. Parece que quanto mais olhamos para o outro, menos o outro olha para nós. E aqui está um grande aprendizado: qual foi a última vez que você olhou para si mesma?

Pois devia.

Imagine que você tem uma lanterna na mão. Você aponta para o seu companheiro enquanto ele fala, lê, come, dorme. Ele anda pela casa e você lá, com o facho de luz nele. Ele sorri, a luz deixa os dentes ainda mais brancos. Ele não fica lindo?

Aí chegam em casa as crianças, da escola. Você pega a sua lanterninha e, zás, ilumina a criançada. Elas querem comida? Lá está você, no fogão, numa mão a colher de pau, na outra a lanterna. É um tal de luz no suco de laranja, luz no dever de casa, luz no varal de roupas.

Haja pilha!

O tempo passa e você se torna a malabarista da lanterna. Já não há apenas uma, mas três, quatro, dez lanternas apontadas para todas as demandas da família. A reunião importante do marido, a carreira dele, a formação acadêmica dos filhos, a manutenção da casa, até os animais domésticos estão no topo da infindável lista. Lista, esta, muito bem iluminada.

E você?

Quando foi que você focou no que gosta, no que sonha, no que deseja? Veja bem, não é errado iluminar a todos em volta, desde que lanternas de reciprocidade também sejam apontadas para você. Ah, ninguém faz isso? Pare, respire. E gire a lanterna para si mesma. Você em foco atrairá toda a atenção, até mariposas!

Você pode. Você merece. Experimente.  

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